Invisível

Um quarto escuro, sem janelas, sem vozes, sem expressões, em silêncio total. Sem olhares, sem toques, sem sentir nenhuma presença, somente o meu corpo, a minha respiração, os meus pensamentos e mais nada. A frente uma porta que somente refletia um fiozinho de luz.


Isso foi um sonho que tive. Acordei com essa imagem, ou falta de imagem na cabeça, já que não se via nada, era apenas eu num escuro intenso. Tenho certeza de que era a minha pessoa, porque os pensamentos eram os meus ou acho que eram. Existem tantas pessoas pensando coisas semelhantes que fico até na dúvida. É, era eu mesmo. Lembro-me da respiração e da forma como movia meu corpo. Não era minha mente em outro corpo, era ela em meu próprio corpo mesmo.


Loucura? Talvez. Começar escrevendo de um sonho que não se tem certeza de que sua mente está no seu próprio corpo? De um lugar escuro, sem nada, somente o escuro.


Mas é assim mesmo que quero iniciar esse texto. Através desse sonho esquisito que tive. Olhar de um jeito diferente pra ele. Tem coisas que eu mesmo queria compreender, mas não me é possível isso. Só lembro-me desse acontecimento porque isso ficou firmado no meu pensamento hoje.


Você já ficou no escuro alguma vez? Já sentiu essa sensação de não ver nada, nem a si mesmo?


Acontece às vezes quando de repente ficamos sem energia, sem velas ou sem qualquer tipo de fonte de luz que ilumine. Mesmo que estejamos num lugar que temos total costume de frequentar, ainda assim nos sentimos perdidos, afinal, está escuro e eu não vejo nada, nem a mim mesmo.


No meio social as coisas funcionam também de forma similar. Na maioria dos casos somos apenas corpos andando no escuro. Não somos notados, não vemos nada e também nada faz tanta diferença assim. E pior, ninguém se importa com isso.


Andamos e vivemos como se fôssemos cegos. Não enxergamos a beleza das coisas, não vemos a distorção dos nossos erros e não percebemos quando algo chega ao fim. Não estamos nem aí pros problemas dos outros, porque os nossos são grandes e nem esses queremos olhar.


O que acontece é que se mantar na escuridão, hoje em dia, não é mais tão opção assim, já se tornou algo comum e sem escolha.


Mas existe outro lado também, algo que também nos deixa invisíveis nesse meio. Nos igualarmos a todo mundo, seguir padrões e conceitos dos outros e não viver conforme as nossas prioridades, mas dando maior importância para o que os outros pensam.


Sermos hipócritas com o que nos é verdadeiro é algo que foge a concepção do bom senso e nos deixa insatisfeito com a forma que vai seguir a vida.


Não que devemos sair extrapolando tudo e fazendo tudo aquilo que vier na cabeça. Não estou dizendo isso, mas sim equilibrar as nossas vontades, equilibrar os nossos desejos e fazer o que nos é importante, mas que não nos cause nenhum prejuízo mental ou destrua nossa característica social. Porque por mais que digamos não se importar com as outras pessoas, nós precisamos estar visíveis a elas de uma boa forma e isso nos faz bem.


Não viver na sombra, mas sim mostrar o que nós somos, como somos, do que gostamos e ainda assim se relacionar bem no meio social em que estamos.


Equilibre os seus ideais com os padrões sociais. Tudo fica tão mais belo, tão mais vivo, e tão mais visível. Completar os espaços vazios com nossas melhores qualidades faz muita diferença.

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