HEROES

Não sei ao certo como começar isso.


Queria começar com uma palavra pequena. Talvez seja simples ou não. Talvez seja forte ou não. Talvez seja completa ou não.


HERÓI


Estive relembrando da infância quando fantasiava grandes histórias, personagens poderosos, pessoas que tinha identidade secreta e grandes poderes para poder proteger e ajudar as pessoas que eram importantes, proteger a humanidade.


Eu tinha meu personagem, me vestia como um herói. Fingia meus superpoderes, voava, via através de objetos e criava um ambiente em que eu defini como minha fortaleza, onde podia observar tudo o que se passava no planeta e estava sempre disposto a enfrentar qualquer situação. Sempre ganhava qualquer coisa em que eu me dedicava a fazer.


Ser um super-herói era fantástico. Lembro-me da sensação boa que eu sentia. De quando eu era apenas um simples humano e num piscar de olhos eu me transformava em alguém poderoso e sem medos.


Fantasia? Talvez sim, mas era interessante a sensação, o modo de ver as coisas.


Hoje olho pra mim mesmo e pergunto: O que houve com o meu super-herói? O que aconteceu com meus superpoderes, com a coragem, com a determinação em ajudar? O que aconteceu com a super força, com a velocidade, com a minha visão de raios-X?


Talvez isso não faça sentido agora. Talvez o que vou continuar a escrever nem seja muito condizente com o início do texto, mas não importa. Lembrar-me disso me fez pensar em qual somos frágeis, no quanto dependemos de uma força extra e como não conseguimos tirar essa força de nós mesmo quando de fato necessitamos.


Viver como um herói, usar máscara. Fazer tudo o que pode e ninguém saber quem está fazendo. Uma vida dupla. De um lado um humano frágil e do outro herói.


Existe muita gente vivendo assim. Vivendo uma vida dupla, seguindo dois estilos, seguindo diferentes percepções. Nunca podem mostrar sua real identidade.


Medo? Talvez. Precaução? Pode ser.


Se você prestar atenção, assim é mais fácil. Duas caras se torna mais confortável que somente uma. É melhor viver dois estilos do que somente um. Eu posso extrapolar de um lado e me mostrar um santo de outro. Conviver com outros semelhantes por um tempo e depois voltar a normalidade de vida humana, fingindo não conhecer e nem saber do que se passa a minha identidade secreta.


É mais seguro ter um lado normal. As pessoas vão me olhar e não perceber, afinal quem desconfiaria de alguém que sempre esteve em lugares e falou com pessoas comuns?


E quando àquela hora aparecer? A hora em que você vai ter que mostrar um dos lados, mas os dois pedem pra ser apresentados? O que fazer?


Apresente a que lhe mais for confortável, a que não vá lhe trazer riscos e nem mesmo lhe faça sofrer. Não vou dizer que ser um só é melhor, é mais fácil. O caso é que as escolhas e as condições que nós mesmos criamos para a nossa vida é que vai definir o nosso bem estar.


Se você pensa: “Eu me socializo, eu apareço, eu mostro aquilo que as pessoas precisam ver, eu sou feliz assim”. Ótimo, continue assim.

Se você pensa: “Eu preciso mostrar o meu verdadeiro eu, é a forma de me sentir bem”. Legal, faça isso.


Liberdade não está em mostrar o seu eu verdadeiro. Mesmo porque, quem vive com duas faces também são verdadeiros. Possuem apenas duas características diferentes e cada uma pertence ao seu eu.


Vive livre pra sua mente e não pra mente dos outros. Você é dono da sua verdade, então faça dela o que quiser. O resto é resto.


Um super-herói tem duas identidades e não existe melhor coisa pra ele do que as tê-las bem distintas. Tem herói que somente tem uma, que não usa máscara e vive de boa.


Então, escolha seu tipo de herói e seja o melhor que puder.